BRAINC
Home

Mercado imobiliário brasileiro: desenvolvimento econômico, geração de oportunidades e transformação social

Por André Sampaio, CEO da BRAINC | CEO do Grupo NEO · · 4 min de leitura

O mercado imobiliário constrói muito mais do que imóveis. É um dos setores que ajudam a construir o Brasil.

Poucas atividades econômicas têm a capacidade de transformar investimentos em emprego, renda, infraestrutura e desenvolvimento urbano com a abrangência do mercado imobiliário. Cada empreendimento mobiliza uma extensa cadeia produtiva, movimenta diferentes segmentos da economia, gera oportunidades de trabalho e contribui para transformar as cidades.

Os números demonstram essa dimensão. Em 2025, o mercado imobiliário brasileiro registrou a venda de 426,2 mil unidades residenciais novas, movimentando R$ 264,2 bilhões, segundo levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Por trás desses resultados estão famílias conquistando sua moradia, empresas realizando investimentos e milhares de profissionais envolvidos em uma atividade que gera efeitos muito além dos limites de cada empreendimento.

O mercado imobiliário como vetor de desenvolvimento econômico

A construção civil tem papel relevante na geração de empregos e na formação profissional. É um setor que abre oportunidades para trabalhadores com diferentes níveis de escolaridade e experiência, além de desenvolver competências e permitir o crescimento profissional. O canteiro de obras também é um ambiente de aprendizado, qualificação e geração de renda.

Em dezembro de 2025, a construção civil mantinha aproximadamente 2,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada no Brasil, demonstrando sua relevância para o mercado de trabalho.

Seu impacto também se estende por uma extensa cadeia produtiva. Cimento, aço, cerâmica, vidro, madeira, máquinas, transporte, engenharia, arquitetura, móveis e eletrodomésticos são alguns dos segmentos diretamente relacionados à atividade imobiliária. Quando um empreendimento avança, uma rede de empresas e profissionais avança com ele.

Essa capacidade de mobilizar diferentes setores faz do mercado imobiliário um importante instrumento de circulação de capital, estímulo à atividade econômica e desenvolvimento regional.

Moradia, qualidade de vida e desenvolvimento das cidades

A dimensão econômica, entretanto, é apenas parte dessa equação.

A moradia adequada representa segurança, patrimônio, pertencimento e estabilidade para as famílias. Quando associada à infraestrutura urbana, ao saneamento, à mobilidade e ao acesso a serviços, contribui diretamente para a qualidade de vida e para a construção de cidades mais estruturadas.

Por isso, o desenvolvimento imobiliário precisa ser compreendido para além da produção de unidades habitacionais. Envolve planejamento, infraestrutura, integração urbana e a capacidade de criar espaços que atendam às necessidades da população e acompanhem o crescimento das cidades.

É nesse contexto que o investimento imobiliário assume uma dimensão ainda mais estratégica: transformar áreas disponíveis, recursos financeiros e capacidade empresarial em oportunidades concretas de desenvolvimento.

Crédito e investimentos: condições para o crescimento do setor

O Brasil ainda possui um amplo espaço para expandir seu mercado imobiliário. O crédito imobiliário representa aproximadamente 10,6% do PIB brasileiro, segundo dados de junho de 2025. No Chile, essa participação alcança cerca de 27,4%, considerando dados de 2024.

A comparação evidencia uma oportunidade relevante para o país: ampliar os mecanismos de financiamento, fortalecer as fontes de recursos de longo prazo e criar condições para que mais famílias tenham acesso à moradia e para que novos projetos imobiliários se tornem economicamente viáveis.

Nesse processo, o mercado de capitais e os fundos de investimento desempenham um papel importante. Empresas estruturadas são capazes de conectar oportunidades imobiliárias a investidores nacionais e internacionais, transformando recursos em projetos residenciais, comerciais, logísticos e em novas centralidades urbanas.

Mas o crescimento do setor depende também de um ambiente de negócios favorável. É necessário avançar em uma agenda que contemple crédito de longo prazo, segurança jurídica, processos de aprovação mais ágeis e previsíveis e disponibilidade de infraestrutura urbana, especialmente energia, abastecimento de água e saneamento.

Também é fundamental desenvolver modelos de negócio que conciliem viabilidade econômica, eficiência na utilização dos recursos e produção de moradias compatíveis com a capacidade de pagamento da população.

O futuro do mercado imobiliário brasileiro

O Brasil reúne condições importantes para ampliar seu desenvolvimento imobiliário: dimensão territorial, demanda habitacional, oportunidades de investimento e capacidade empresarial.

O desafio está em conectar esses elementos. Transformar disponibilidade de terras em projetos viáveis, capital em investimentos produtivos e crescimento econômico em benefícios concretos para a sociedade exige planejamento, conhecimento de mercado e parcerias consistentes entre empresas, investidores e demais agentes envolvidos no desenvolvimento urbano.

Fortalecer o mercado imobiliário é, portanto, uma decisão estratégica para o país. Significa gerar empregos, ampliar o acesso à moradia, estimular diferentes atividades econômicas e contribuir para cidades mais estruturadas.

Mais do que construir imóveis, temos a oportunidade e a responsabilidade de participar da construção de um Brasil com mais desenvolvimento, oportunidades e qualidade de vida.

André Sampaio

CEO da BRAINC | CEO do Grupo NEO